Quando falamos de volume e um CD, a primeira coisa em que pensamos é na masterização. Para saber o quanto essa influi no volume, precisamos entender como é esse processo.
A Masterização é um processo de finalização de uma mixagem multi tracks em 2 canais Left and Right (L-R, neste caso especifico não falarei de 5.1 e outros). Neste processo, a
depender da necessidade, poderão ser feitas algumas correções finais
como tirar freqüências em excesso ou colocar-las no caso de
falta; recriar uma sala ou uma ambiência e como a maior das aplicações
na visão de alguns produtores e gravadoras, atenuar picos e controlar
a dinâmica por meio de compressão e limitação, ou seja, o grande desejo é conquistar o máximo de volume possível.
Vamos entender dois aspectos:
• Como funciona um Compressor: Esse aparelho possui 5 parâmetros principais:
-Threshold - Ponto limiar em que o compressor tem que agir;
-Attack - Quanto tempo demora para atenuar o sinal;
-Release - Em que velocidade depois de atuar o compressor deixa de atuar;
-Ratio - Taxa de atenuação (ex 3:1 divide-se o sinal que passar o Threshold por 3);
-Modos de Compressão - Hardknee ou Softknee (dura e branda).
• Como funciona a recepção do nosso ouvido a um conjunto de sinais
sonoros, neste caso música.
Numa finalização existe um limite técnico máximo antes da
distorção. Para um melhor entendimento, digamos que seja zero. O nosso
ouvido identifica como volume máximo de uma musica, um todo, ou seja, o
rms e não absorve os picos numa equação final, por exemplo: uma musica´´A´´
possui volume rms de -15 db e alguns transientes (picos) até zero, nosso
ouvido reconhece como volume da musica -15 db e uma musica ´´B´´ possui
volume rms de -5db e com transientes alcançando zero. Nosso ouvido entendera – 5 db como volume máximo. Logo amusica ´´B´´ será mais alta que a musica ´´A´´ , isto para os nossos ouvidos por que tecnicamente as duas musicas estão no limite zero antes da distorção.
As masterizações atuais comprimem todos os picos e sobem todo o bloco
transformando tudo numa única massa sonora e com volume máximo aos
ouvidos.
Mas qual a vantagem de tirar todas as nuances e dinâmicas de uma musica?
Para a grande massa de produtores e gravadoras, volume é um padrão e
sinônimo de sucesso. Dai então os Compressores e Limiters são seus
maiores aliados. Dificilmente uma gravadora lançaria um disco
independente que tivesse sido produzido sem masterizar-lo.
Na década de 80, a banda pop americana Toto, gravou discos belíssimos com pouca compressão (ex: a musica Africa) e que estão marcadas na historia como grandes sucessos em vendas. Podemos também citar os Beatles e até no presente o guitarrista e compositor Pat Metheny, que no seu novo
album ´´Speaking of Now´´ trás uma mix solta, cheia de nuances, deixando realmente a música acontecer. Esses e outros artistas venderam e vendem muito!
Em contra partida tem o Hip Hop, sucesso de vendas hoje em dia nos Estados Unidos que utiliza uma concepção de mixagem e masteriazação muito mais comprimida e limitada, talvez porque os estilo dependam dessa massa sonora
gorda para soar. São estilos diferentes e tem que ter concepções diferentes.
Existem boas masterizações que até salvam mixagens com problemas, entretanto muitas vezes na procura exacerbada por volume uma masteriazação, podemos correr o risco de transformar uma música em um tijolo sonoro distorcido.
Será que é muito trabalhoso aumentar o volume do som do carro ou de um micro system ao trocar de cd? Será que não é mais desconfortável abaixar o
volume que está destorcido ( no caso de uma masterização mal feita na tentativa de alcançar o padrão atual ).
Acredito que gosto não se discute, mas fatos sim. E então senhor vai querer com compressão ou sem? Distorcido ou limpo?
Audio é música!!!!
Tito Menezes é técnico de P.A de Marcelo Bacellar, Mariene de Castro e também integrante da equipe do Submarino Studios.